Está na moda ser babaca?

[Este não é um post sobre quadrinhos. Até vamos falar de um cartum, mas não é este o ponto]

Deixa eu perguntar: está na moda ser babaca? Não que homens e mulheres não tenham praticado a babaquice nos últimos séculos, mas me parece que, de uns tempos para cá, não basta colocar uma melancia no pescoço. As pessoas estão com esta necessidade de ser babaca para chamar a atenção, ser “alguém de opinião”, expor sua estupidez para juntar-se aos demais. É culpa da internet, dos pais ou sinal dos tempos?

Das babaquices diárias, me chamou a atenção o caso da semana passada ocorreu o que podemos chamar de polêmica de Facebook. Resumidamente, uma menina branca, com câncer, foi abordada por uma menina negra, que a acusou de apropriação cultural. Não vou entrar no mérito da discussão, pois assim como em algumas discussões (Capitão América x Iron Man), respeito as pessoas e seus motivos pessoais para tomar partido. No meu caso, observei a discussão de longe.

Acreditava que a polêmica havia se encerrado com o cartum de destaque. Independente se você é daqueles que defende a apropriação cultural ou se acha que o movimento negro deveria se ocupar de outras pautas, este cartum é aquele soco no estômago que acerta e faz todo mundo abaixar a cabeça. Pelo menos a parte decente desta discussão, porque sinceramente não ligo para a parte preconceituosa da polêmica. Curto, direto, inteligente: como todo bom cartum deveria ser.

E eis que, uns três dias depois de acabar a discussão (que na internet corresponde há três séculos de distância) duas páginas feministas postam o seguinte “recado”.1

Não dá nem para acreditar que a militância pelos direitos iguais produziram uma peça destas. Como alguém que luta contra a discriminação equipara duas recorrentes formas de opressão com uma mulher de turbante? Gays e transgêneros, como outros, sofrem há séculos para poderem expressar suas liberdades individuais, enquanto mulheres brancas estão a um degrau de privilégio das mulheres negras. E um degrau bem alto.

Ainda que você defenda que “nos três casos trata-se de uma liberdade” ou qualquer outro “mimimi” racional que seu racismo quer expressar, pense em todas as figuras que estão sofrendo do cartum. Reveja-o, até entender o ponto. É por isso que mamãe diz: “você precisa ter cuidado com o que se diz na internet”, principalmente se você faz parte de uma destas minorias de poder, mais ainda se não for contribuir para a causa. Para as feministas: existiam muitas possibilidades para se equiparar no meme, e vocês perdera não somente a chance de ficarem quietas, como mais de uma seguidora.

Em tempos como esse, não dá pra bobear e acabar se misturando com os babacas. É babaca quem curte, é babaca quem compartilha e babaca se não for contribuir para a luta contra preconceito. E se vier com o argumento da “patrulha do politicamente correto”, ganha medalha oficial de babaca. Caminha de mãos dadas com bolsominions.

Então, migas, por que optar por ser babaca quando se pode apenas ficar calado? Quando você não tem nada importante para dizer, cale-se, não importa o que seja. Se não lhe dói, cale-se. Ou melhor, continue andando normalmente.

Obrigada, de nada.

 

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