saboreando

Uma boa história em quadrinhos podem ser aproveitada ao seu máximo de sabor e entretenimento. São para poucos e loucos: são construídos delicada e lentamente, cada palavra traçando um caminho rumo ao desconhecido entendimento, como um doce capaz de provocar diferentes sensações apenas ao passar pela língua. Pelo menos foi essa minha experiência num restaurante de alma francesa.

jacquin.PNGHaverá  sempre quem preferira um bom fast-food ou boteco – eu mesma cansei de me esbaldar nas gordurosas curvas de um BigMac. Mas sou da opinião de que é preciso provar pequenos requintes da vida, escapar do maravilhoso arroz-com-feijão e provar o caviar [mesmo que, no meu caso, me condene a passar o resto do mês a pão-e-água]. É como passar um mês tendo que ler tirinha de Jornal do Metrô por gastar o salário numa edição mais do que especial de V de Vendetta.

Tartar & Co, restaurante localizado na região de Pinheiros. Lucky-Luke-Dalton-4.jpgPara paulistanos de alma, segnifica duas coisas: vai ser chic e vai ser caro. Realmente é chic. E bem caro.

Vamos pela experiência, que essa não dá pra taxar.O restaurante está inserido no mundo da fama a partir de seu chef Erick Jacquin, o gordinho mau-humorado da versão brasileira de MasterChef*. Ter um chef na TV dá ao pequeno lugar todo aquele status mainstream, com direito a fila e mesas encostadas a pouco centímetros das outras – estava quase a puxar assunto com o casal do lado.

E por que isto importa para um blog sobre quadrinhos?

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Assim como no MacDonaldsa surpresa estava escondida abaixo do prato. Cada folha colocada entre a mesa e a louça aparesenta uma peça de quadrinhos, franceses ou norte-americanos e em suas respectivas línguas. Cortou meu coração colocar um copo molhado em cima de um trecho de uma história do Luke Luke, uma vez que minha vontade era sair de mesa em mesa a arrancar todas aquela arte daqueles mais interessados em saciar a fome.

Distinto e repleto de personalidade, o Tartar & Co é uma grata surpresa entre os restaurantes ditos de bom gosto. A comida (no dia, pedimos ostras) e o atendimento não deixam a desejar, e o valor final não é um absurdo perto dos preços insanos de São Paulo. Embora não esteja ganhando pela propaganda gratuita (mas se quiserem eu aceito um jabá à francesa, viu?), vale muito a pena… daqueles prazeres de esbanjar uma vez a cada seis meses talvez. Ou, se você puder ($$$$), muito mais que isso.

Serviço:

Tartar e Co.

jacquin3.PNG

(*) Rolou, esta semana, uma discussão sobre pedofilia e cultura do estupro na estreia do MasterChef Júnior. Sou contra a própria proposta do programa de sujeitar crianças ao estresse e competitividade deste tipo de reality e por isso não assisti e nem pretendo me envolver na polêmica. Mas registro aqui que sou solidária às amigas militantes que tem aproveitado o que aconteceu para discutirmos mais um assunto tão grave da nossa sociedade atual. Mas como este texto nada tinha a ver com a questão, preferi deixar o tema para uma futura outra pauta.

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