porque eu não gosto de Maurício de Souza

Eu já sei que vão me acusar de não ter infância. Eu não ligo, porque eu tive.m

Minha primeira HQ foi um álbum de ouro do Zé Carioca. Não pertencia a mim, era emprestado do meu pai, mas é minha primeira lembrança. A segunda, como a maioria da minha geração, foi um álbum do Maurício de Souza. Mônica provavelmente, embora meu personagem favorito seja o Cascão (sei lá porque, algo a colocar em minha bibliografia). Foi parte da minha infância, e definitivamente teve grande influência em minha paixão por quadrinhos.

Meu problema com a Turma da Mônica não está contido em suas histórias, mas em sua mercantilização. Quem vê hoje os baixos preços destes gibis comercializados não tem ideia do custo de 20 anos atrás. Em determinado ano, cheguei a pedir o álbum de atividades especial de natal para presentes. Não consegui por falta de grana.

Mas se fosse caro apenas porque sim, sem problemas. Sou do tempo em que tudo é caro. A questão é que Mauricio de Souza vendeu sua alma e a alma de seus personagens fazendo de um tudo com sua franquia: de fraldas a maçã, de desenho a chocolate, de lápis de cor a parque. Isto em uma época que não era uma prática comum. Com exceção à Disney – que, vamos combinar, é a Disney -, Maurício deixou de ser desenhista para deturpar o que fosse possível para vender a Turma, diferente de qualquer outro produto infantil da época.

Antes mesmo da publicidade infantil começar a ser discutida, os produtos de Maurício de Souza já faziam comerciais de tudo no maior estilo “Eu tenho, você não tem”. E isso é imoral quando pensamos que se tratam de crianças, incapazes de compreender toda a complexidade do capitalismo e de publicidade. Pois é, Maurício, tanto talento e você deixando marcas em crianças inocentes. E nem vem com o papo de que isso é discurso de “comunista”. A maioria dos seus colegas artistas, até os bem-sucedidos, estão comigo quando te chamamos de mercenário.

E se era pra ser uma criação INFANTIL, que porra é essa de Turma da Mônica JOVEM? Está bem, esse é um recalque pessoal por você ter tirado todos os defeitos da turminha da minha infância, mas essa onda mangá, vamos combinar, era só pra ganhar mais dinheiro. MAIS DINHEIRO. Era mesmo necessário? Diz aí, há quanto tempo você não pega numa caneta para desenhar, e não simplesmente para autografar?

Assim como meu pai [assunto para outro post], Maurício de Souza não é mais artista. Sou fã de sua obra, mas não gosto de mercenários. Respeito-o por chegar aos 80 anos de idade e por um dia ter sido um cara legal, mas reavalie suas escolhas querido, porque não há nada mais fora de moda hoje em dia do que posar de descolado e humano e ser apenas mais uma raposa de desenhos infantis. E nem me venha com quanto você doa X% para causa Y, porque você e eu sabemos que seu dinheiro vem da minha geração de “eu tenho, você não tem”.

E se você que lê este texto acha o Sousa é bacada e eu estou delirando em uma febre comunista, tu és só mais um que adora o discurso de boa índole mas não enxerga o privilégios de ter tido acesso à Turma da Mônica. Por isso, Maurício, hoje não te homenageio.

Um comentário em “porque eu não gosto de Maurício de Souza

  1. Gosto muito da Turma da Mônica tanto dos gibis, quanto do parque, mas verdade seja dita: o preço continua se ouro. Acho que minhas filhas tem acesso hoje pq não somos mais tão pobres como na minha infância, mas ainda custam muito caro e poucas são as crianças que podem ter…

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